quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Loucura

Loucura, de Mário de Sá-Carneiro, retrata a história de um caprichoso homem que, no decorrer do tempo e da vida se entrega à banalidade do amor. Se apenas disso se tratasse, penso que o livro não teria o mesmo impacto, não despertaria tão profundamente as emoções do leitor. Página após página, surge em Raúl, o eterno fugitivo dos sentimentos e da normalidade humana, uma sufocante e imensa paixão que, como enuncia o título, o levará à loucura.
               Não é a de Raul, a meu ver, uma forma correta de pensar e ver a vida, pois devido à sua personalidade, vivia desassossegado e com pouco se contentava, o que se refletiu quando se apaixonou por Marcela.
               Embora esta fosse a sua forma de demonstrar o afeto que sentia, realçava aos olhos da sua amada que nela tudo amava, que não era como os outros homens, que apenas a olhavam como uma criança olha para o brinquedo mais caro e colorido no topo de uma prateleira.
               Raul amava e não o negava; porém, não considero esta personagem como algo que me desperte interesse. Penso até que os seus ideais eram o símbolo de alguém egoísta e inconsciente. É terrivelmente assustadora a forma como se acha dono da razão, até mesmo quando fala com o seu melhor amigo, que apenas lhe deseja o melhor.

               Finalmente, penso que Raul faria tudo pelos seus ideais. As suas atitudes, ao longo do enredo levam-me a concluir que, por vezes, não podemos seguir tudo em que acreditamos, pois ocasionalmente o interesse cega-nos e conduz-nos à obsessão. 

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