Loucura, de Mário de Sá-Carneiro, retrata a história de um
caprichoso homem que, no decorrer do tempo e da vida se entrega à banalidade do
amor. Se apenas disso se tratasse, penso que o livro não teria o mesmo impacto,
não despertaria tão profundamente as emoções do leitor. Página após página,
surge em Raúl, o eterno fugitivo dos sentimentos e da normalidade humana, uma
sufocante e imensa paixão que, como enuncia o título, o levará à loucura.
Não é a
de Raul, a meu ver, uma forma correta de pensar e ver a vida, pois devido à sua
personalidade, vivia desassossegado e com pouco se contentava, o que se
refletiu quando se apaixonou por Marcela.
Embora
esta fosse a sua forma de demonstrar o afeto que sentia, realçava aos olhos da
sua amada que nela tudo amava, que não era como os outros homens, que apenas a
olhavam como uma criança olha para o brinquedo mais caro e colorido no topo de
uma prateleira.
Raul
amava e não o negava; porém, não considero esta personagem como algo que me
desperte interesse. Penso até que os seus ideais eram o símbolo de alguém
egoísta e inconsciente. É terrivelmente assustadora a forma como se acha dono
da razão, até mesmo quando fala com o seu melhor amigo, que apenas lhe deseja o
melhor.
Finalmente,
penso que Raul faria tudo pelos seus ideais. As suas atitudes, ao longo do
enredo levam-me a concluir que, por vezes, não podemos seguir tudo em que
acreditamos, pois ocasionalmente o interesse cega-nos e conduz-nos à obsessão.
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