sábado, 13 de dezembro de 2014

Nunca Nada de Ninguém

       Li recentemente o livro Nunca Nada de Ninguém, de Luísa Costa Gomes e confesso que fiquei um tanto desiludida. Este livro é uma peça de teatro, dividida em três interlúdios e três atos, que retratam o quotidiano de várias mulheres.
        Devo dizer que, no decorrer do primeiro interlúdio, fiquei bastante impressionada com o livro, elevando bastante as minhas expetativas como leitora, porém, nos atos seguintes senti uma enorme desilusão que me fez ver cada emoção que tinha sido despertada ao início não ser cumprida com o avanço do livro.
       Apesar da fraca argumentação, gostei imenso da riqueza de escolha de palavras da autora, não tendo de se esconder entre discursos que ofuscassem o verdadeiro sentido que transmitia, mas sim expressando o que queria dizer de forma simples, mas verdadeiramente tocante. O núcleo desta riqueza destaca-se, claramente, no primeiro ato, onde são contados os problemas de várias senhoras, que levam o leitor a questionar-se se os seus problemas serão tão assim tão graves comparando com verdadeiros infortúnios.
        Por outro lado, um dos fatores que mais contribuiu para o meu desagrado perante este livro é também a fraca qualidade dos diálogos do terceiro ato, que considero o mais fraco dos três, já que são retratadas conversas banais que, na minha opinião, nada interessam ao leitor.
        Concluindo, penso que, tendo em conta as capacidades literárias da autora que presenciei e me deliciaram no começo desta leitura, o livro poderia ter sido uma ótima obra se mantivesse o estilo que apresenta inicialmente. Este é um livro que não recomendo; porém, gostaria de num futuro próximo experimentar ler outra obra de Luísa Costa Gomes.

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