Já seis dias passaram e esta dor no meu peito não quer desaparecer, esta saudade que toma conta de tudo que sou! Bernardim, meu Bernardim! Tu que te sacrificaste, tu que morreste de amor! Ninguém sabe o quanto sofro, nem meu pai! Os dias passam, o sol nasce e o sol põe-se, as nuvens passam, a chuva cai, o tempo corre! Corre nesta minha vida parada no tempo! Ainda me lembro de teu rosto implorando misericórdia, teus olhos pedindo a Deus que pudesses ficar com Beatriz. A pobre Beatriz, que neste momento sofre mais do que eu, pois, para além de sentir a tua falta, de chorar a tua perda, tem de fingir amar outro e sorrir-lhe com o seu coração despedaçado e os seus olhos em lágrimas, enquanto eu apenas sofro e guardo o meu coração até te reencontrar. Se eu pudesse unir-vos novamente, só Deus sabe que o faria! Antes o teu sorriso perante Beatriz do que a tua morte por não a teres...
E vou lentamente sarando esta ferida, vou acreditando que um dia mais tarde nos reencontraremos... As saudades permanecem, Bernardim, essas não irão desaparecer.
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