quarta-feira, 10 de junho de 2015

O último conto que apresentei neste ano letivo chama-se O Primeiro Dia e está integrado no livro Não te deixarei morrer, David Crockett, de Miguel Sousa Tavares.
Neste livro, o autor faz uma seleção de 38 textos publicados em revistas portuguesas, além de material inédito, para criar um livro de contos. O seu título é uma homenagem ao herói de infância do autor - o aventureiro David Crockett.
O conto retrata a história de um homem que acaba de se separar da sua esposa e a sua evolução perante o primeiro dia sem a sua presença. Penso que, nestas ocasiões, todos nos tentamos ser fortes e ignorar todas as mudanças e mágoas, porém, há certos momentos que nos fazem recair pois, na minha opinião, os afetos influenciam muito a nossa felicidade.
Outro aspeto relevante neste conto é o facto de abordar a separação entre um casal e, por fim, expressar que é bastante complicado quando um pai ou mãe, dada à instabilidade da sua relação, tem de se afastar do seu filho.

Gostei muito deste conto pois para além de, na minha opinião, mostrar um comportamento típico da maioria dos homens perante as separações, mostra também o seu lado frágil quando se trata dos filhos, afinal, relações podem não resultar e cada um pode seguir a sua vida, mas no fim os filhos permanecerão sempre ligados a cada um dos elementos e serão sempre os mais sofredores.  


domingo, 17 de maio de 2015

Eu, Bocage...


Eu, Bocage, vivi uma vida polémica porque me dei ao luxo de utilizar algo tão simples como a palavra numa época em que as pessoas sentiam e não se manifestavam, como dizia meu grande modelo Camões, o ‘’fogo que arde sem se ver’’.
            Para além disso, também o meu fado foi condicionado pelo período cultural em que vim ao mundo, e pela pessoa irreverente e instável em que me tornei. Mas antes de formarem uma ideia errada sobre mim, permitam-me explicar-vos como tudo aconteceu.
            No ano de 1765, nasceu, na opinião de muitos, um dos melhores poetas do século XVIII, eu próprio, Manuel Maria Barbosa du Bocage. Nasci na maravilhosa cidade de Setúbal, com o seu belo rio Sado. O meu pai era advogado e a minha mãe uma senhora francesa que, infelizmente, morreu quando eu tinha apenas 10 primaveras. (“Aos dois lustros a morte devorante//Me roubou, terna Mãe, teu doce agrado”). Aos 16 anos de idade alistei-me no Regimento da Infantaria de Setúbal onde tive o prazer de ter como comandante um sargento-mor entendidíssimo em literatura que despertou em mim o amor pela escrita. Porém, não foi o suficiente para me manter na minha cidade por muito tempo, por mais saudades que tenha vindo a ter. (“Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado,// Mansa corrente, deleitosa, amena,//Em cuja praia o nome de Filena //Mil vezes tenho escrito, e mil beijado “) Assim, dois anos depois, fui para a capital onde entrei na Companhia de Guardas-Marinhas e adquiri diversos conhecimentos sobre náutica, geometria, aritmética e artilharias, e desenvolvi a minha admiração pela língua da minha falecida mãe, o francês. Muitos dizem que foi aqui que ingressei na minha vida boémia de improvisador satírico e, na verdade, não o posso negar, tendo em conta que, já em 1784, me vi a ser expulso da Companhia. No entanto, alcancei o perdão das autoridades e fui assim nomeado para guarda-marinha da Armada do Estado da Índia, para onde parti, tal como meu grande Camões. (“Quão semelhante// Acho teu ao meu”).
            Em 1787 matriculei-me na Aula Real da Marinha onde permaneci um ano, gravemente doente, o que não me impediu de ser nomeado Tenente da Infantaria da 5ª companhia do regimento de guarnição da praça de Damão e de embarcar para Macau. Três anos depois consegui regressar ao Tejo com o pseudónimo de Elmano Sadino e tentei recomeçar a minha vida ingressando na Academia das Belas-Letras. Porém, nem tudo no meu regresso foi positivo. Ao chegar a Lisboa, fiquei a saber que a minha querida e amada Gertrudes, também conhecida como musa Gertrúria nos meus poemas, se casou com o meu irmão Gil Francisco e, confesso, foi doloroso.
            No ano de 1791 publiquei a minha primeira obra, o tomo I das Rimas, em que me afirmei finalmente como poeta e me marquei pelo erotismo e pela sátira de caráter social que, frequentemente, destaquei. Para além disso, penso que sejam também notórias na minha poesia duas vertentes líricas; a luminosa e etérea (na qual me entreguei à evocação da beleza das minhas amadas), e a noturna e pessimista (onde manifestei a dor tremenda provocada pela indiferença das minhas musas), e, à semelhança do Excelentíssimo Camões, a abordagem comum de temas como o ciúme, a noite, a morte (“A morte para os triste é ventura”), a liberdade, o amor. (“Quantas vezes, Amor, me tens ferido!”). Considero a minha obra um marco do momento histórico da transição entre o arcadismo e o romantismo, marcado pela Revolução Francesa pela qual tenho tanto agrado.
Em 1794, como era de esperar, fui também expulso da Academia e, um ano depois, apresentei-me na Maçonaria, onde expandi com cada vez mais entrega a minha admiração pelos ideais da Revolução Francesa e do Iluminismo, vindo-me a tornar uma das maiores figuras do Iluminismo português. Por esta mesma razão vi meu fado ser quebrado e manuseado tentando moldar a minha irreverência e fui cativo na prisão do Limoeiro e, mais tarde, no Real Hospício de Nossa Senhora das Necessidades onde iniciei a minha vida como tradutor. No dia 31 de Dezembro desse mesmo ano fui libertado e no início do seguinte publiquei o tomo II das Rimas e continuei a traduzir provas e textos na Oficina Tipográfica do Arco do Cego.
            Em 1801, no reinado de D. João VI, fui convidado a estar presente na festa da paz com França, organizada pelo Intendente Manique, o mesmo que me condenou à prisão quatro anos antes, julgando que eu já tinha assentado a minha faceta revolucionária.
            Um ano depois escrevi a tão célebre Pena de Talião, contra o padre José Agostinho de Macedo. Nesse mesmo ano perdi o meu pai, e passei a viver com a minha irmã Maria Francisca que me acompanhou numa das fases mais difíceis da minha tenebrosa vida, onde a miséria e a pobreza reinaram e, como se não bastasse, quando em 1804 descobri que sofria de um aneurisma nas carótidas. Publiquei, um ano depois, duas obras, os Improvisos de Bocage na sua Mui Perigosa Enfermidade e a Coleção de Novos Improvisos de Bocage na sua Moléstia. No dia 21 de dezembro do ano seguinte acabei por falecer na miséria e só assim consegui alcançar um pouco de paz no Cemitério da Igreja Paroquial das Mercês, onde fui sepultado. (“Já Bocage não sou!... À cova escura//Meu estro vai parar desfeito em vento... //Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento// Leve me torne sempre a terra dura.”).

            Em 1841 foi criado um monumento em minha honra, na Praça de Bocage, na minha bela cidade de Setúbal onde a minha alma sempre permanecerá acompanhada do meu coração. 



sexta-feira, 20 de março de 2015

Um Coração Desassossegado

 

       O conto que li e apresentei por último neste período chama-se ''Um coração desassossegado'' de Miguel Torga, e está integrado no livro Contos da Montanha.
       Uma das razões que me levou a escolher este conto foi o seu tema,o amor, e a maneira como devemos lidar com o mesmo mas, essencialmente, sobre algo que penso que não devemos fazer: escondê-lo. 
      A história fala sobre Daniel, o viúvo da falecida irmã de Marciana, Isaura, e sobre alguns episódios ocorridos no passado.
      Marciana era, para Daniel, uma pessoa extremamente aborrecida e cansativa, que passava a sua vida à procura de um amor ideal, levando-a ao fracasso de dois casamentos. Porém, já no seu terceiro casamento, Marciana quis dançar com Daniel e, embora este lhe tivesse feito a vontade, quando chegou a casa queixou-se a Isaura, que apenas respondia com um simples "Tem paciência. Que se lhe há-de fazer? Não penses nisso..."
      Por fim, já depois da morte do seu terceiro marido, Marciana dirigiu-se a casa de Daniel, cuja esposa já tivera falecido, e, finalmente, admitiu que era de si que gostava, e que não podia continuar a procurar alguém que a fizesse feliz quando essa pessoa já se encontrava à sua frente.
     Penso que este conto transmite uma mensagem muito interessante apesar de não me ter prendido fortemente a atenção, pois mostra que não devemos esconder o que sentimos, uma vez que até nos sentirmos livres para expressarmos tudo o que queremos, e principalmente, se o conseguirmos fazer, estaremos a magoar imensas pessoas pelo caminho, inclusive nós mesmos.

sábado, 14 de março de 2015

A Criança Que Não Queria Falar

                                 



O livro que apresentei recentemente chama-se “A criança que não queria falar”, de Torey Hayden, uma professora inglesa de ensino especial que, a partir de 1979, decidiu começar a relatar, através da publicação de livros, algumas das suas experiências como educadora.
O livro retrata uma história verídica, sobre uma menina chamada Sheila de seis anos de idade, abandonada pela mãe, separada do irmão mais novo e que, passo a citar, “até então apenas conheceu um mundo onde foi severamente maltratada e abusada”.
            Sheila ficou então à guarda do pai, que durante os primeiros anos da sua vida esteve preso por assalto e agressão. Depois de cumprir a sua pena esteve durante muito tempo no hospital devido ao consumo de álcool e drogas.
            Tendo em conta a falta de qualidade de vida que o pai lhe proporcionava, acabou por ser entregue a uma instituição de proteção de menores, onde "descobriram" graves cicatrizes e fraturas provocadas por maus-tratos. No entanto, acabaram por voltar a confiar a menina ao pai, que continuou a proporcionar uma má qualidade de vida, deixando Sheila a viver numa barraca com apenas uma divisão onde não havia água e luz.
            Sheila era uma menina pequena e frágil, devido a subnutrição e graves problemas mentais, que a levaram a com apenas seis anos a raptar um menino de três anos, levá-lo para um bosque, amarrá-lo a uma árvore e pegar-lhe fogo.
            Assim, Sheila é encaminhada para um hospital psiquiátrico, mas não há vagas. A única solução seria a entrada, embora provisória, numa escola especializada. A sua entrada na sala e na escola foram bastante atribuladas. Torey, a professora da sala, já tinha o máximo de alunos na sua sala. Mas, como era urgente e como seria uma situação provisória, acabou por aceitar e passou a ficar com nove crianças. 
            Sheila não se adaptou e acabou por aterrorizar as outras crianças e toda a comunidade escolar. Existem alguns episódios trágicos que fizeram Torey entrar em desespero, porém, depois de alguns dias, acaba por se aperceber de que tinha algo muito grave em mãos, e de que teria de dedicar todas as suas forças para ajudar esta criança. 
            Após algumas "batalhas" começam a criar-se laços muito fortes entre as duas. Sheila, começou a ganhar vontade de ir para a escola e começou a sentir felicidade por estar lá. Um dos momentos que, na minha opinião, demonstra uma maior evolução, é quando Sheila repara que as outras crianças a ''excluem'' por esta não dizer um simples ''obrigada'' ou ''por favor''. (Uma tarde, depois da escola, ficou de pé junto à mesa, onde eu fazia uma pequena experiência de ciências.
               -Como é que a Tyler recebe tantos bilhetes?- perguntou.- Recebe mais que todos. És tu que lhos dás?
               -Sabes bem que não. Todos escrevem bilhetes.
               -Como é que ela recebe mais?- insistiu, pondo a cabeça de lado, com um ar de desafio.- O que ela fazer? Por que é todos gostam dela assim?
               -Bom- Repliquei, ponderando um momento no assunto.- Por um lado, é delicada, Quando quer alguma coisa, pede e quase sempre diz ‘’por favor’’. E ‘’obrigada’’ também. Isso faz com que uma pessoa queira ajudá-la ou estar com ela. Sentimo-nos bem.
               Sheila franziu o sobrolho e olhou para as mãos. Depois, fitou-me com um olhar acusador.
               -Por que é que nunca me dizeres que queres que eu diga ‘’por favor’’ e ‘’obrigada’’? Não sei que queres isso. Por que é que dizeres a Tyler e não a mim?
               -Não disse nada à Tyler- respondi, com um olhar incrédulo.- É uma coisa que as pessoas fazem. Toda a gente gosta que os outros sejam delicados.
               -Eu não sei isso. Nunca ninguém me disse- declarou num tom de censura.- Nunca saber que quereres que faça isso.
               Ao refletir no assunto, soube que ela tinha razão. Provavelmente nunca lhe dissera. Era uma daquelas coisas que eu achava que qualquer criança sabia. Contudo, a injustiça do pressuposto abateu-se sobre mim. Talvez Sheila nunca tivesse ouvido aquelas palavras no seu meio. Ou talvez nunca tivessem tido qualquer significado para ela até agora.
               -Desculpa Sheila. Julgava que sabias.
               -Não sei. Posso dizê-las, se saber que queres.
               -Quero- vinquei, assentindo com a cabeça.- São palavras boas para usar porque fazem com que as outras pessoas se sintam bem. Isso é importante. As pessoas gostam mais de nós por isso.
               -Dirão que sou boa menina?
               -Ajudá-las-á a ver que és.
               E assim, aos poucos, começou a prestar atenção ao que outros faziam para serem bons e delicados. Quando não compreendia, perguntava. Por vezes, quando a sentia desamparada, aproveitava os momentos em que estávamos a sós para lhe explicar.'')

            Gostei imenso deste livro não só pela história em si e toda a sua emoção e verdade, mas também pelos pormenores da escrita da autora. Interessou-me bastante a forma como descreve todas as emoções de forma tão transparente e tão crua que, a certo ponto, me levaram às lágrimas. Este é um tema bastante frágil e que deve ser tratado com a devida sensibilidade para que ofereça ao leitor todas as emoções sentidas por Sheila e pela professora, levando-o a sentir-se como parte do livro.
            A criança que não queria falar demonstra, de forma exemplar, o quanto devemos lutar contra as nossas maiores fraquezas  mas, acima de tudo, como os laços e o amor são importantes e como cativar alguém pode mudar a nossa vida.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

''Pelo sonho é que vamos''

''Pelo sonho é que vamos,

comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.

Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?

– Partimos. Vamos. Somos.''

(Sebastião da Gama)

     Recentemente fomos desafiados a apresentar uma obra poética para que alargássemos os nossos conhecimentos nas diferentes tipologias textuais e calhou-me a mim apresentar um livro de Sebastião da Gama: Pelo sonho é que vamos. 
      Talvez por usar demasiadas metáforas que se relacionassem com a vida de Sebastião da Gama na grande maioria dos seus poemas e que eu não consegui decifrar todo o significado, ou simplesmente porque não me identifiquei com o mesmo, este foi um livro que não me conquistou totalmente. Porém, após algumas dezenas de páginas folheadas, o poema supracitado captou, desde a primeira vez que o li, a minha atenção. 
     O poema ''Pelo sonho é que vamos'' tem, na minha opinião, uma mensagem muito valiosa que devemos ter em conta nas nossas vidas uma vez que, tal como o sujeito poético enuncia, todos nós somos construídos e movidos pelos nossos sonhos e que mesmo que nem sempre consigamos o que ambicionamos, não devemos abandonar aquilo que desejamos mas sim continuar a lutar para que o alcançaremos pois sem esse factor das nossas vidas todos seríamos iguais e caminharíamos num só sentido o que, a meu ver, causaria o desastre. Assim, penso que todos devemos seguir os nossos sonhos, por mais diferentes, incomuns ou impossíveis que pareçam ser. ''Basta a fé no que temos. / Basta a esperança naquilo / que talvez não teremos''. 


     

sábado, 17 de janeiro de 2015

Lagoa do desassossego

     Encontrei-o na lagoa perto da minha casa. Os seus olhos suplicavam por misericórdia e assim aproximei-me. Devia ter reconhecido aquele rosto assim que o vi, mas a verdade é que ele não estava propriamente bem, e não havia outro [inserir nome da alma desassossegada] que eu conhecia que não estivesse sempre bem.
     Aquele rapaz, naquele lugar, com aquela mesma estatura, o seu metro e oitenta e o bater do meu coração acelerado só podiam indicar que era quem eu estava a pensar. À medida que me aproximei fui revendo os seus pequenos detalhes por que em tempos me apaixonei. Considerando que ele estava sentado, banhando as pernas na lagoa, de lado, a primeira coisa que vi foi o seu cabelo, moreno, cor de chocolate. O sol que aquecia aquela tarde tornava cada fio de cabelo mais brilhante e a sua pele mais clara, reluzente. Assim se seguiam os seus olhos, cuja cor não se podia assemelhar mais com a água da lagoa o que, confesso, me deixou confusa. Por momentos não conseguia distinguir ambas as coisas...Era como se os seus olhos fossem mergulhados na água e assim adquirissem essa cor. Ao olhar com mais cuidado, consegui não só perder-me na beleza dos seus olhos como me consegui encontrar no que estava por trás deles. Tudo o que ele era, tudo o que me encantava. O seu caráter, a sua forma simples e espontânea de ser e viver cada segundo... Toda a sua personalidade, o seu espírito livre, a sua bondade, a forma como ele sempre conseguia divertir toda a gente, o facto de ser determinado e perfecionista em tudo o que tivesse ou ambicionasse. Os seus olhos não mentiam, e eu sabia que mesmo com todas as cicatrizes que levava consigo no resto do corpo, aqueles eram os olhos que me fariam feliz, verdadeira e eternamente feliz.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Reflexos

     Quem sou?
     Para alguns sou uma pessoa que podem manter por perto, para outros sou apenas um rosto na multidão, mas não somos todos? E reduzindo-me a essa banalidade soberba, gosto de pensar que sou apenas um rosto na multidão com características e pequenos detalhes num só rosto.
     Gosto que me tratem bem e que se preocupem comigo, gosto de quem gosta de pormenores, de quem me pergunta como correu o dia ou o que comi ao jantar. Gosto de caldo verde e de francesinhas, gosto de pickles e de brócolos, gosto de pizza e, no entanto, odeio queijo. 
     Gosto de bebés e gosto de os fazer sorrir, gosto de ser alegre, gosto de olhar nos olhos, porém sinto-me desconfortável quando também me olham.
     Gosto da minha família e dos meus amigos, adoro estar sempre bem com a vida. Adoro ser feliz.

     O que aparento ser?
     O jogo está a ficar mais complicado... Esta é difícil. Considero que à primeira vista não demonstro exatamente o que sou... Gosto de manter certos detalhes apenas para quem quero que os conheça. Mas ignorando tudo isto, penso que aparento ser um pouco arrogante, embora não acredite que o seja verdadeiramente. Talvez pelo facto de não querer parecer frágil ao início me vista com esta armadura perante o desconhecido. Creio honestamente que se me visse na rua ou me odiaria ou adoraria. Sem intermédios, oito oitenta.

     O que quero ser? 
     Simples. Quero ser uma pessoa bem sucedida na vida, quer seja pessoal ou profissionalmente. Quero fazer o que gosto e quero fazê-lo bem, quero que reconheçam o que fizer de bom e quero melhorar com o que fizer de mal.
     Quero ser o sol nos momentos sombrios de alguém, quero ser o ombro de todos os meus amigos. Quero ser uma noiva lindíssima e com um sorriso radiante no meu dia especial, quero que os meus filhos tenham uma mãe tão boa quanto a minha (visto que melhor será impossível), quero que os meus filhos cresçam com a presença de um pai fantástico como o meu, quero ser a avó que as minhas avós são comigo.
     Quero fazer a diferença. Quero ser alguém de que se lembrem quando já tiver partido. Quero ser alguém que não seja um simples rosto na multidão. Quero ser alguém que mereça estas palavras e desejos cumpridos no dia em que já seja alguém apenas na memória dos que permanecem vivos.