Encontrei-o na lagoa perto da minha casa. Os seus olhos suplicavam por misericórdia e assim aproximei-me. Devia ter reconhecido aquele rosto assim que o vi, mas a verdade é que ele não estava propriamente bem, e não havia outro [inserir nome da alma desassossegada] que eu conhecia que não estivesse sempre bem.
Aquele rapaz, naquele lugar, com aquela mesma estatura, o seu metro e oitenta e o bater do meu coração acelerado só podiam indicar que era quem eu estava a pensar. À medida que me aproximei fui revendo os seus pequenos detalhes por que em tempos me apaixonei. Considerando que ele estava sentado, banhando as pernas na lagoa, de lado, a primeira coisa que vi foi o seu cabelo, moreno, cor de chocolate. O sol que aquecia aquela tarde tornava cada fio de cabelo mais brilhante e a sua pele mais clara, reluzente. Assim se seguiam os seus olhos, cuja cor não se podia assemelhar mais com a água da lagoa o que, confesso, me deixou confusa. Por momentos não conseguia distinguir ambas as coisas...Era como se os seus olhos fossem mergulhados na água e assim adquirissem essa cor. Ao olhar com mais cuidado, consegui não só perder-me na beleza dos seus olhos como me consegui encontrar no que estava por trás deles. Tudo o que ele era, tudo o que me encantava. O seu caráter, a sua forma simples e espontânea de ser e viver cada segundo... Toda a sua personalidade, o seu espírito livre, a sua bondade, a forma como ele sempre conseguia divertir toda a gente, o facto de ser determinado e perfecionista em tudo o que tivesse ou ambicionasse. Os seus olhos não mentiam, e eu sabia que mesmo com todas as cicatrizes que levava consigo no resto do corpo, aqueles eram os olhos que me fariam feliz, verdadeira e eternamente feliz.
sábado, 17 de janeiro de 2015
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Reflexos
Quem sou?
Para alguns sou uma pessoa que podem manter por perto, para outros sou apenas um rosto na multidão, mas não somos todos? E reduzindo-me a essa banalidade soberba, gosto de pensar que sou apenas um rosto na multidão com características e pequenos detalhes num só rosto.
Gosto que me tratem bem e que se preocupem comigo, gosto de quem gosta de pormenores, de quem me pergunta como correu o dia ou o que comi ao jantar. Gosto de caldo verde e de francesinhas, gosto de pickles e de brócolos, gosto de pizza e, no entanto, odeio queijo.
Gosto de bebés e gosto de os fazer sorrir, gosto de ser alegre, gosto de olhar nos olhos, porém sinto-me desconfortável quando também me olham.
Gosto da minha família e dos meus amigos, adoro estar sempre bem com a vida. Adoro ser feliz.
O que aparento ser?
O jogo está a ficar mais complicado... Esta é difícil. Considero que à primeira vista não demonstro exatamente o que sou... Gosto de manter certos detalhes apenas para quem quero que os conheça. Mas ignorando tudo isto, penso que aparento ser um pouco arrogante, embora não acredite que o seja verdadeiramente. Talvez pelo facto de não querer parecer frágil ao início me vista com esta armadura perante o desconhecido. Creio honestamente que se me visse na rua ou me odiaria ou adoraria. Sem intermédios, oito oitenta.
O que quero ser?
Simples. Quero ser uma pessoa bem sucedida na vida, quer seja pessoal ou profissionalmente. Quero fazer o que gosto e quero fazê-lo bem, quero que reconheçam o que fizer de bom e quero melhorar com o que fizer de mal.
Quero ser o sol nos momentos sombrios de alguém, quero ser o ombro de todos os meus amigos. Quero ser uma noiva lindíssima e com um sorriso radiante no meu dia especial, quero que os meus filhos tenham uma mãe tão boa quanto a minha (visto que melhor será impossível), quero que os meus filhos cresçam com a presença de um pai fantástico como o meu, quero ser a avó que as minhas avós são comigo.
Quero fazer a diferença. Quero ser alguém de que se lembrem quando já tiver partido. Quero ser alguém que não seja um simples rosto na multidão. Quero ser alguém que mereça estas palavras e desejos cumpridos no dia em que já seja alguém apenas na memória dos que permanecem vivos.
Subscrever:
Mensagens (Atom)