sábado, 17 de janeiro de 2015

Lagoa do desassossego

     Encontrei-o na lagoa perto da minha casa. Os seus olhos suplicavam por misericórdia e assim aproximei-me. Devia ter reconhecido aquele rosto assim que o vi, mas a verdade é que ele não estava propriamente bem, e não havia outro [inserir nome da alma desassossegada] que eu conhecia que não estivesse sempre bem.
     Aquele rapaz, naquele lugar, com aquela mesma estatura, o seu metro e oitenta e o bater do meu coração acelerado só podiam indicar que era quem eu estava a pensar. À medida que me aproximei fui revendo os seus pequenos detalhes por que em tempos me apaixonei. Considerando que ele estava sentado, banhando as pernas na lagoa, de lado, a primeira coisa que vi foi o seu cabelo, moreno, cor de chocolate. O sol que aquecia aquela tarde tornava cada fio de cabelo mais brilhante e a sua pele mais clara, reluzente. Assim se seguiam os seus olhos, cuja cor não se podia assemelhar mais com a água da lagoa o que, confesso, me deixou confusa. Por momentos não conseguia distinguir ambas as coisas...Era como se os seus olhos fossem mergulhados na água e assim adquirissem essa cor. Ao olhar com mais cuidado, consegui não só perder-me na beleza dos seus olhos como me consegui encontrar no que estava por trás deles. Tudo o que ele era, tudo o que me encantava. O seu caráter, a sua forma simples e espontânea de ser e viver cada segundo... Toda a sua personalidade, o seu espírito livre, a sua bondade, a forma como ele sempre conseguia divertir toda a gente, o facto de ser determinado e perfecionista em tudo o que tivesse ou ambicionasse. Os seus olhos não mentiam, e eu sabia que mesmo com todas as cicatrizes que levava consigo no resto do corpo, aqueles eram os olhos que me fariam feliz, verdadeira e eternamente feliz.

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